FORÇA MORTAL - De: Alexandre Cthulhu

Força Mortal
Quero a minha vida de volta
Destruidora abstinência
Ilustre indulgência
Que me mantém forte,
Apesar da morte!
A espada brilha no altar
O sino badala estridente
Oh, alma indolente
Que teima em não ressurgir
Liberta a força que há em ti
Pobre ser vivo
Esquartejado e sacrificado
O teu sangue derramado
Sob o pentagrama
Enquanto eu jazo na lama
Das trevas
Satan,
Quero viver
Livrai-me da placitude
Livrai-me da morte
Traz-me à vida
Faz-me Forte!
Sou líder de uma banda de “Black Metal” chamada “Terror mortal”. Já gravámos um CD e neste momento estamos a preparar o segundo. Eu sou guitarrista, vocalista e também sou responsável pelas letras das músicas. Este poema (força mortal) é o tema principal do trabalho que os “Terror Mortal” tencionam gravar em breve.
Como me inspirei para o escrever?
Não foi há muito tempo que me descobri satânico.
Não nascemos ateus nem cristãos. Nascemos satânicos.
“Satan representa indulgência e não abstinência!
Satan representa todos os denominados pecados, uma vez que todos eles conduzem à gratificação física, mental e emocional”
Toda e qualquer criança é satânica assim que nasce e, à medida que vamos crescendo vamos perdendo toda a pureza e tornamo-nos “noutra coisa” diferente, por influência ou por imposição.
Tenho reflectido muito sobre os dogmas da religião e sob os quais a nossa educação é erigida. A religião não é dada como algo garantido à nascença. Porquê que a religião cristã nos leva a negar os frutos da vida?
Porquê que temos que renunciar ao prazer dos sentidos?
Esta moralidade é uma fraude.
Enquanto crianças, somos indulgentes. Não nos privamos dos nossos desejos naturais e inatos. Fazemos tudo para obter o que desejamos num determinado momento. O satanista não adora o “diabo”. Esse ser é uma figura cristã. Eu venero-me a mim mesmo. Satan é uma palavra de origem hebraica, que significa”adversário”, opositor”, “inimigo”. Satan é o “opositor” de todo e qualquer Deus. Assim, o único Deus que eu reconheço, sou Eu próprio!
A minha mulher, Ângela, uma musa lindíssima que conheci num concerto dos “Moonspell”, não partilha desta minha tendência ideológica, mas é uma fiel companheira e uma excelente baixista. Eu amo-a acima de tudo.
Ela corresponde-me com todo o seu amor e pureza.
O mesmo já não posso dizer dos meus pais, que não aceitam esta minha atitude (o tornar-me satanista, e formar uma banda que invoca a morte e Satanás). Eles simplesmente cortaram relações comigo e com a minha querida Ângela.
Esta tomada de decisão por parte deles deve-se, em grande parte, ao facto de ambos serem Católicos praticantes, e por mais que eu lhes tente explicar que ter-me tornado satanista não implica adorar o demónio (nem sequer realizar rituais macabros), eles não aceitam.
Decidiram deixar de falar comigo, e começaram a mentir aos amigos sobre mim. Sempre que eram questionados acerca da minha banda, eles desmentiam, inventando que não era eu. Quando alguém lhes perguntava por mim, respondiam que eu tinha ido estudar para um colégio particular em Lisboa.
Bem, a verdade é que eu e Ângela vivemos com sérias dificuldades!
Além da banda, eu e Ângela não temos absolutamente nada, e eles têm tudo: São proprietários de várias ourivesarias, vivem luxuosamente, habitam numa vivenda com piscina e garagem…enfim, têm mesmo “tudo”!
Na segunda-feira passada, o proprietário da garagem onde a banda costuma ensaiar ameaçou-nos com uma acção de despejo, pois as finanças da banda estavam em baixo e o dinheiro não chegava para tudo. Decidi recorrer aos meus pais para me ajudarem, mas eles acabaram por me humilhar, e acabei por sair da casa deles, completamente humilhado, como se fosse um mendigo. O meu pai até teve a coragem de me informar que me tinha deserdado e que já tinha falado com o advogado da família para me excluir do seu testamento.
Quando regressei a casa, nem a minha doce Ângela me conseguiu acalmar.
- O que eu mais queria era que eles morressem! – Bradei eu desesperado e cheio de fúria.
- Tem calma, meu amor. Eles não merecem o filho que têm! – Sussurrou-me a minha amada, numa tentativa vã de me consolar.
Eu era filho único.
Durante toda a minha infância todos os mimos e atenções eram apenas dirigidos para mim. Nunca me preocupei em arranjar emprego ou dedicar-me aos estudos porque achava que tudo o que eles possuíam, um dia seria meu. Mas estava enganado.
Aos 15 anos comecei a sair e passei a assistir a concertos de bandas de Heavy metal, o que me influenciou ao ponto de deixar crescer bastante o cabelo e passar e vestir-me de negro. Também me tatuei e coloquei alguns piercings.
Mais tarde, formei a minha primeira banda de heavy metal, Os “Black Demon”. Tocávamos em bares e pubs, mas nada de original, apenas covers dos “Black Sabbath”que é a minha banda de eleição.
Mais tarde formei os “Terror Mortal” e passados dois anos, gravámos o primeiro CD, e isso deixou os meus pais em pânico, pois a capa exibia o demónio a possuir sexualmente uma freira. O conteúdo das letras era bastante agressivo, e também esse pormenor os deixou estupefactos.
Depois conheci a Ângela e casei com ela, apenas com 18 anos. Dediquei-me a ela e à banda, mas este não era o futuro que eles tinham imaginado para mim. Então passei a ser tratado como um “bastardo”. Depois decidiram castigar-me” da forma mais rude que eu podia alguma vez imaginar – negarem-me tudo a que tinha direito.
Na terça-feira, após ter estado a ensaiar com a banda, voltei a casa um pouco deprimido, pois tinha discutido com os restantes elementos da banda devido a divergências que já começavam a rebentar entre nós. Eu andava nervoso, pois não sabia como resolver estes problemas.
- Odeio os meus pais. O que eu mais queria era que eles morressem! – Desabafei naquela noite. Sentia-me desesperado.
- Eu também os odeio, amor. – Redarguiu Ângela num tom triste.
- Se continuarmos assim, vamos ter de acabar com a banda, amor.
- Mas a banda é tudo o que temos, querido. Foi tudo pelo que sempre lutaste – Afirmou ela.
- Não dá, amor. Temos que arranjar dinheiro. Temos que parar com a banda e arranjar um emprego, sei lá…
- Não, lindo! Os teus pais têm que nos ajudar. Eles são ricos, porra!
- Sabes que não posso contar com eles para nada. Até já me deserdaram, como tu sabes!
- Porque tu deixaste! A tua religião diz, “Satan representa bondade para aqueles que merecem e não amor desperdiçado em ingratos”. “Satan representa vingança e não dar a outra face”! – As palavras dela eram como murros no meu estômago.
Aos poucos, e também de uma forma subtil, Ângela precipitou-me para “aquele abismo” que Allan Poe descreve no seu “Demónio de perversidade”, impelindo-me para os limites da minha loucura.
“Se algo lhes acontecesse, tudo aquilo seria nosso”…”Eles tratam-nos como mendigos, quando dizemos que precisamos da ajuda deles”…”Parece que gostam de mandar nas nossas vidas”…
“Algo tem de ser feito, Zé!…Faz algo”…
Estas frases, proferidas pela voz musical e doce de Ângela, badalaram lugubremente no meu espírito, assolando-o noite após noite, até à data do eclipse solar, que coincidia com uma enigmática sexta-feira, dia 13 de Agosto.
Nessa manhã acordei completamente alucinado. Tinha sido atormentado durante toda a noite por pesadelos apavorantes. Olhei em redor do quarto, e apercebi-me que Ângela já tinha saído.
Sobre a mesa-de-cabeceira estava um bilhete deixado por ela. “Meu amor,
Na vida, temos poucas oportunidades para sermos felizes. Só se é realmente feliz quando fazemos aquilo que gostamos. Se achas que devemos ir trabalhar, tudo bem. Mas lembra-te que tens uns pais ricos, e se eles te deserdaram, não tendo eles mais filhos, a quem vão deixar aquela fortuna toda? À igreja?
Pensa nisto.
Volto à noite
Amo-te para sempre.
Beijos
Ângela”
A minha estimada Ângela tinha razão. Pois os meus pais fartavam-se de doar dinheiro à igreja. Da última vez que a igreja precisou de fazer obras, foram eles que as pagaram. Foram apenas vinte mil euros… Abandonei o apartamento com o desespero na minha alma.
A primeira coisa que fiz foi enfiar-me na tasca que fica logo em frente à minha casa, e logo ali emborquei quatro cervejas.
Segui caminho a pé até à casa dos meus pais, e a meio do percurso parei noutro café, onde bebi mais dez cervejas com vários whiskys pelo meio. Repeti este ritual nem sei quantas vezes, durante todo a manhã. Atravessei a ponte e observei a paisagem.
“O rio quando permanece na sua placitude, parece embalar as pequenas embarcações no seu regaço, tal como uma mãe acarinha um rebento no seu colo” – meditei.
Recordei-me da face terna da minha mãe e chorei. Contudo, as minhas lágrimas secaram sob o negror súbito que se apoderou, não do meu espírito, mas do… mundo! O eclipse estava a ocorrer e eu senti-me assombrado. Ai de mim!… Agora suportava paulatinamente o despertar do assassino que se incubava no meu corpo. Em vão, tentei reprimi-lo, mas a sua malvadez era poderosa e apossou-se vagarosamente da minha alma.
E foi já metamorfoseado neste “carrasco” que me aproximei da casa “deles”.
Oh sim, a noite já mostrara a sua face, e eu…não. Eu não estava possuído! Antes pelo contrário. Os possessos não entendem nada.
Contornei a casa até às traseiras e galguei o muro pelo local onde o fazia sempre, quando não queria que eles soubessem a que horas eu chegava a casa.
Eu estava bem disfarçado. Se alguém me visse, não podia afirmar que era eu, aquele que ali vivera tanto tempo. O “zorro”, o RottWeiller, aproximou-se de mim a rosnar, mas de imediato sussurrei o seu nome e ele reconheceu-me. Dei-lhe duas festas e mandei-o afastar, o que ele fez obedientemente. Trespassei a porta das traseiras e penetrei pela casa dentro. A aparelhagem estava ligada. Tocava “cânticos religiosos” (que horror!).
Aproximei-me da sala, mas inesperadamente fui surpreendido pelo meu pai. Nem olhei para o rosto dele. Puxei do punhal e descarreguei-lhe vários golpes na cara e nos braços. Também o atingi no peito e nesse momento ele caiu brutalmente no chão, ficando a arfar que nem um animal em aflição. Não posso afirmar quanto tempo mais ele se aguentou naquele sofrimento.
Imediatamente a seguir, dei pela presença dela. Aproximou-se aos gritos. Estranhamente, não lhe reconheci a voz.
Atirou-se a mim, tentando-me deter. Elevei o braço para a apunhalar, mas ela conseguiu desviar-se, prendendo-me a mão, mordendo-a depois, ferozmente. Este gesto despertou ainda mais a minha ira, o que me obrigou a desferir-lhe um pontapé na cabeça, que a arrumou de vez.
O efeito do álcool não me deixava ver com nitidez. Por isso esperei o momento oportuno para lhe dar um golpe que a imobilizasse, pois ela já se preparava para fugir em direcção à rua.
Ergui-me e corri atrás dela, prendendo-a pelo pescoço. De seguida, levei-a ao chão e atingi-a com a lâmina no braço direito, o que a fez gritar, ficando agarrada ao membro agora ferido. Num ímpeto, saltei para cima dela e desferi-lhe várias punhaladas no peito. O último golpe que lhe descarreguei tirou-lhe de imediato a vida. Ela nem gritou nem gemeu, apenas ofegou durante uns segundos, depois desfaleceu. Não perdi tempo a certificar-me se respirava ou não.
Estava feito. O meu tormento tinha terminado ali, naquele momento.
A aparelhagem ainda tocava os horríveis cânticos religiosos. O Zorro ladrava estridentemente lá fora. Não havia de tardar, que a curiosidade dos vizinhos os motivasse a ir lá bater à porta, para saber o que se estava a passar. Seguidamente, viria a policia. Estava na hora de abandonar a casa e tinha de o fazer rapidamente.
Não podia deixar as coisas assim. Apesar de ter calçado umas luvas descartáveis, eu também estava a sangrar. Portanto havia “provas” que me comprometiam seriamente. Tinha que pensar rápido.
Tentei imaginar “algo” que eliminasse estas provas. Lembrei-me de um incêndio, e num ápice dirigi-me à cozinha, e desapertei completamente a válvula do gás. Depois liguei os quatro bicos do fogão e abri o esquentador também.
Seguidamente, abandonei a casa pelas traseiras e de lá atirei o isqueiro aceso para o interior da residência. O zorro ainda correu atrás de mim na brincadeira, mas eu nem lhe liguei.
Não podia perder tempo nem deixar quaisquer vestígios. Quando o gás alcançasse a chama do isqueiro, havia de se dar uma explosão e a casa ficaria em labaredas. O fogo consumiria os cadáveres que jaziam lá dentro e assim eu garantia um cenário ilusório de aparente tentativa de assalto que fora mal sucedido, cujo intruso recorrera ao incêndio para ocultação das provas.
Nunca cheguei a saber se a casa explodira ou não, pois não escutei qualquer som, que se assemelhasse a um estouro. Talvez devido à rapidez com que me ausentei do local, calculo. Tinha Corrido velozmente pelo meio do matagal que se estendia pela zona envolvente da localidade, que eu tão bem conhecia. Tinha brincado ali durante todo meu tempo de escola…
Ao fim de alguns quilómetros, parei para estabilizar a minha respiração. Doíam-me os músculos das pernas de tanto correr.
Olhei em redor. Inesperadamente, afiguraram-se-me várias recordações felizes da minha infância. Senti um vazio, e comecei a ficar cheio de frio. O “monstro” tinha-me abandonado. Oh, eu já não era “ele”. Tinha voltado a ser o Zé, como carinhosamente a minha mãe me chamava… – Tentei sacudir essas doces recordações do meu espírito, mas não consegui. Então voltei a correr. Percorri mais alguns quilómetros até à localidade mais próxima, onde apanhei um táxi, que me levou até casa. Só pensava em cair nos braços da minha doce esposa.
O apartamento estava estranhamente silencioso. Imaginei que Ângela pudesse ainda não ter voltado. Mas ela surgiu, vinda da sala, fascinantemente bela como uma diva. Trajava uma camisa de dormir comprida, negra e transparente, que lhe realçava a sua volúpia desconcertante. Trazia o cabelo completamente solto que lhe caía sobre os ombros. Oh, como eu amava aquele seu estilo gótico, que tanto me seduzia.
Senti o seu abraço forte e duradouro. Depois, pegou-me pela mão e levou-me para a sala, que estava iluminada por dois candelabros que seguravam longas velas negras, que queimavam serenamente.
- Minha querida… – Sussurrei entre soluços agoniantes.
Ângela fixou-me, penetrando os seus olhos negros em mim. Não falou. O seu silêncio lúgubre levou-me a concluir que ela sabia o que eu tinha acontecido, tal como uma Deusa que conhece todos os passos do seu servo.
- Meu amor… – Redarguiu ela, com uma voz inexpressiva, pousando a sua mão suave sobre o meu cabelo.
Acabámos a noite a fazer amor. Amámo-nos como nunca, num clima de arrebatadora loucura e incessante desejo. Eu era louco por ela. Eu morria por ela. Eu matava por ela…
Às três e meia da madrugada, a porta da minha casa foi sacudida por violentas pancadas que me fizeram despertar numa perturbação inquietante. Ergui-me da cama e fui ver o que se passava. Ângela também já estava acordada.
- Quem está aí? O que quer? – Inquiri.
- Policia!…abra a porta imediatamente – Uma voz fria e penetrou pela minha casa dentro como um tiro no escuro.
Respirei fundo. Apertei o Baphomet (1) que trazia ao peito e abri a porta tranquilamente. Não quis demonstrar qualquer receio ou hesitação.
Deparei-me com três agentes da Policia Judiciária, bastante sisudos.
Um deles ainda disse “boa noite”. O outro, que parecia mais graduado, perguntou-me o nome e de seguida informou-me de que o Juiz de turno do tribunal de Aveiro emitira um mandato de captura, o que os obrigava a deter-me imediatamente.
Naquele instante senti-me como se o meu corpo tivesse ficado sem sangue. Olhei para o agente e ofereci-lhe os meus punhos, que ele agrilhoou com um par de algemas grossas e frias.
Abandonei a casa com os meus olhos fixos em Ângela, a quem eu dirigi um breve “amo-te muito” através dos meus lábios mudos. Depois fui abruptamente transportado para o Golf, que arrancou com grande velocidade.
Nas instalações da PJ fui sujeito a um extenso e fatigante inquérito por parte do chefe de brigada, que me informou sobre os crimes que eu era suspeito: Homicídio e tentativa de ocultação de crime.
Também me comunicou que havia testemunhas que declaravam ter-me visto no local do crime, na noite de sexta-feira, dia 13 de Agosto.
Por fim, fui enviado para os calabouços húmidos, onde aguardei pelo desenrolar das investigações. Comecei a cismar se o agente não estaria a fazer “bluff” com aquela história das testemunhas, pois seria impossível alguém ter-me avistado por ali, até porque eu tinha tomado precauções para que ninguém me reconhecesse, colocando um chapéu na cabeça.
Aguardei com a mais pura das descontracções que tudo se resolvesse, pois eu sabia que a policia trabalhava mal, e jamais iriam encontrar as provas que me podiam incriminar de facto.
De manhã fui acordado pelo ruído perturbador do destrancar da porta gradeada da minha cela.
-Senhor José, venha comigo. – Ordenou o guarda prisional com uma voz firme.
- Concerteza, senhor guarda. Finalmente os “bófias” concluíram que estou inocente, não é verdade? – Indaguei eu, virando-me para o guarda que me escoltava.
-Não, senhor José. Você tem visitas!
- Visitas?… Quem? A minha mulher? – Insisti ansioso.
-Não, são os seus pais! – A frase produzira o efeito de um tiro na minha cabeça. O guarda silenciou-se e isso deixou-me pensativo. Enquanto percorria o corredor que me levava à sala de visitas, a meu cérebro examinou todas as hipóteses de tal eventualidade ser real e possível.
- Oh, deve haver um equívoco, os meus pais estão m… – o meu discurso fora interrompido pela imagem assombrosa dos meus progenitores, que se mantinham com um aspecto saudável e…”vivos”! (1) Também conhecido como Bode de Mendes, criado por Eliphas Levi no sec. XIX. Representa a absorção do conhecimento. È usado como Símbolo dos Satanistas com um pentagrama invertido.
- Pai…mãe!… – balbuciei, incrédulo. Depois até sorri, por os ver ali (com vida), na minha presença. Por outro lado, persistia a dúvida pavorosa que me martelava o espírito – A quem tinha eu tirado a vida, afinal?…
A minha mãe estava com um ar de quem não dormia há algumas noites. Pegou no auscultador e desferiu-me um olhar de franca piedade antes de começar a falar.
- Porque fizeste aquilo, meu filho? – Indagou ela com um tom carregado.
- O que fiz eu?… – Perscrutei inocentemente. A minha franqueza levou-os a pensar que eu estava louco.
- Entraste na nossa casa e apunhalas-te os teus tios que tinham sido convidados para passar uns dias lá em casa. – Afiançou o meu pai com bastante frieza.
- Eu?…
- Sim. Nós estávamos na cozinha, e eles andavam lá por casa…mas quando tudo aquilo começou a acontecer, escondemo-nos na dispensa com medo. Meus Deus! Filho, porque fizeste aquilo?…Ainda fomos a tempo de fechar o gás, senão também já não estaríamos aqui! – Proferiu a minha mãe entre soluços.
Após escutar as palavras dela, ainda Levei algum tempo até compreender o erro que realmente tinha cometido. A falta de lucidez, causada pelo álcool, levara-me à perturbação dos meus sentidos, o que me impeliu para uma loucura desmedida, atacando os inocentes que me apareceram à frente, sem sequer imaginar, que poderiam ser outras pessoas, que não os meus pais.
Senti o sangue a enregelar-se-me nas veias, e deixei de sentir o chão sob os meus pés. Tinha voltado as costas à luz, e agora tudo à minha volta eram sombras.
A loucura, não é mais do que a destruição da armadura da nossa lucidez. Falar dos meus pensamentos agora, não faz nenhum sentindo, pois nada me afecta, excepto o terror de enfrentar estas barras de aço por onde espreito todos os dias, para me recordar que existe um mundo aí fora, muito diferente deste que eu suporto aqui, com grande amargura.
- Oh Ângela, meu amor – Berro eu todas as noites do fundo deste “inferno”, que é o meu calabouço… Mas a minha querida Ângela nunca me respondeu.
owwwwwwwwwwwwaa adorei aind sem ler!!!!!!
aff…
O cara nem sabe o q esta escrito é esta a falar titicas…